O pequeno vazio. Esse é o inocente pensamento de mim. Doía ao pensar em tudo o que é e nos quem poderiam ter sido e não são. O arrependimento não surge. Ele é. E é mais. E continua sendo. E não para por cada gota de sangue que não derramei em asfaltos. Ou para os gritos não gritados, mas explodidos em olhares a pontos tão fixos como o tudo que sou. Ou para pretensões acalmadas por saber seus fins e seus começos e seus meios e seus antes e todos os e, e de terminar as mesmas em um próximo ou. Ou para a quem amei.

Pior que o arrependimento é o fato de existir algo. Sim, algo. Não é substantivo indefinido. É Substantivo. É Algo. Não tem como fingir, fugir, redimir ou estabelecer uma linha de raciocínio baseada em distanciar, até certo ponto, o sentimento por meio de séries compridas de pensamentos encadeados por ideologias metafóricas, metafísicas, meta’s e eróticas, ao mesmo tempo em que se distrai com longas seqüências de abstrações pleonásticas sobre um mundo onde outro algo, representando todos os nossos, imerso em um profundo experimento de masturbação intelectual com o fim de aliviar todas as suas partes não palpáveis e que tem noção que tudo isto esta preso em uma janela que imita um papel e onde os erros são sublinhados em um vermelho tão vivo, mas tão vivo que deseja. Te deseja.

Menti. O pensamento primeiro é tudo menos que inocente. É malicioso até a ponta do fio imaginário que tem. É mais sujo do que os minutos mais gostosos que viverei. É uma rede de segurança tão bem arquitetada e planejada que é furável ao primeiro teste de raciocínio, daquele tipo que machuca, mostrando claramente o seu propósito de esconder a dor com outra mais compreensível e especial ao ser tão insignificante quanto deseja ser. Explico-me melhor sobre esse pequeno vazio. O vazio, per si, é infinito em suas possibilidades e excentricidades, mas este é pequeno a ponto de todas elas terem final bem definidos por mim. Agora para o que tem de sujo, é reconhecer todo um potencial que não existe, é imaginar algo que nunca será por ter uma resposta eterna a todas as perguntas. Nada.

Esse Algo está me consumindo de maneira religiosa. Religiosa da maneira que há bem e bom e mal e piores e tudo isso esta revelado. Ser nada é tão confortável que já me fez ser o pior e o regular em todas as situações até as revelações de alguns balbucios acima. Existe uma pausa para o arrependimento de motor continuo que existe dentro do meu ser metafísico que tanto adoro e idolatro como eternamente nulo e irremediável. A partir desse momento: Sinto. Faço. Mato. Algo existe. E sou. O tempo da anemia deve passar para o peso vier finalmente. Preciso ser esmagado. Pior que seja, pelo mais, é algo.